terça-feira, 18 de dezembro de 2007

As Palavras Que (Ainda) Não Te Disse


Deixa-me dizer-te que ter estado novamente contigo foi, de uma forma que ninguém (talvez nem eu) consegue entender, umas das melhores coisas que me aconteceram desde... Desde que acabámos, confesso. Desse dia (já se passaram dois anos) até há três meses atrás, pouca coisa boa teve lugar na minha vida. Acredita que admitir isto não é fácil, tenho fugido a esta realidade durante todo este tempo, mas agora que te voltei a encontrar e contigo a verdade que sempre trouxe no coração, não tenho mais motivos para o fazer.

Depois daquele adeus que ambos tomámos como o último, tudo mudou, a vários níveis. E foi das decisões que mais me custou tomar até hoje. Doeu lá no fundo, doeu demais, ainda me lembro do quão insuportável parecia aquela dor. O meu mundo caiu e a minha vida acabou, pelo menos foi o que senti naquela altura. Tinha consciência de que te estava a perder para sempre, que não voltaria a olhar-te da mesma forma, a apreciar cada pormenor do teu corpo, a acariciar-te o rosto perfeito, a sentir o teu calor em dias de frio, a beijar os teus lábios que sempre confundi com pedacinhos de seda. Custou abdicar da, apesar de tudo, felicidade como a conheci e pela qual acabara perdidamente apaixonada. Por isso consegues compreender o que significou para mim voltar a ter tudo isto, ainda que não da forma mágica e perfeita (nunca voltará a sê-lo) de outros tempos. Foi como respirar outra vez, como poder ver o sol novamente a brilhar à minha janela. Foi o despertar de todos os sentimentos que mantinha aprisionados no mais fundo de mim mesma, tão fundo como onde um dia te deixei entrar sem saber que essa era uma viagem apenas de ida, sem bilhete de regresso, para sempre.

Olhar nos teus olhos, ver neles o meu reflexo e nos teus lábios o sorriso que me diz que estás feliz por me teres de novo nos teus braços. Percorrer cada centímetro da tua face, confirmar que o teu nariz continua a ser perfeito e que o teu cabelo ainda é teimosamente encaracolado. Beijar o teu pescoço que ainda emana o cheiro do perfume que usaste para me seduzir há seis anos atrás, lembras-te? Passar a mão no teu peito, mais magro mas igualmente sensual, tocar-te nos braços ligeiramente musculados mas suficientemente fortes para me ter sentido sempre segura. Entrelaçar os meus dedos nos teus com a meiguice, mas já não tanto a inocência, de quando eramos miúdos. E apertarmos as mãos com força, saudade e desejo, para depois cair naquilo que jurei nunca mais deixar acontecer; fazer amor contigo na tua cama, aquela que há muito testemunhou a nossa primeira união, um com o outro e com com quem quer que fosse, e que agora divides com outra pessoa.

Sim, podes dizer que não é a mesma coisa, que nunca o foi com mais ninguém e eu até posso acreditar em ti, mas isso não apaga a realidade de existir entre nós outra mulher. Aliás, já que estamos a falar disso, outra mulher e outro homem... Pois é, não nos esqueçamos que não foste o único que seguiu com a vida para a frente. Eu também encontrei alguém e escolhi-o para fazer parte do meu mundo, como um dia tu fizeste. E aqui encontramos as duas grandes razões que procuras com a tua questão, à qual no fundo conheces a resposta tão bem como eu; "Por que não podemos tentar mais uma vez e fazer isto resultar?". Quero dizer, ambos sabemos que não é só isso que nos impede de quebrar regras e enfrentar obstáculos de novo. O verdadeiro motivo vem de há mais tempo, já é antigo e nós conhecêmo-lo muito bem: a certeza. A minha certeza de que vou voltar a ser magoada da forma cruel e impiedosa como insististe em magoar ao longo de quatro anos. Sabes, foi tempo demais, foram demasiadas vezes. E sempre a mesma maneira de causar a dor, de abrir novas feridas por cima das antigas ainda antes que estas pudessem sarar. Sempre o mesmo erro, o teu...

Bem sei que falando assim parece que me acho perfeita e sem culpa de nada, não acho. Sei que também fiz asneiras, muitas vezes discuti contigo sem razão, não pedi desculpas suficientes quando devia. E o que considero ter sido o maior erro de todos, o ter-te perdoado da primeira vez. Porque depois da primeira vieram todas as outras que me ofereceram passe livre para muitos momentos de sofrimento sem prazo de validade. Até à exaustão, até eu sentir que não tinha mais forças para continuar a lutar por um amor que há muito estava condenado e que eu decidira ser a única a não ver. (...)

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